Fotografia, na horizontal, composta por quatro grandes blocos de pedra que ocupam toda a extensão das margens inferior, superior, esquerda e direita da imagem, com apenas um espaço vazado no centro da imagem. O material da pedra é semelhante ao rochoso em tons avermelhados com manchas claras. A pedra da margem inferior que ocupa os quadrantes cie, ebc e cid, apresenta em tinta preta o texto “devolva, devolva/ a terra que você roubou/ de nós/ para que possamos continuar/ a viver.” Sobre essa pedra estão colocados dois outros blocos de pedra, que não se tocam ao centro. O bloco que ocupa o quadrante ce possui em sua parte superior a inscrição em tinta preta “Pemê’e Jevy Pemê’e Jevy/ Oreyuy pera’a un’e kue/Roiko’i piaguã/Pera’a ua kue roiko’i piaguã”. Na parte superior desse bloco há uma pequena lasca solta da pedra. O bloco que ocupa o quadrante cd está sem quebras e inscrições. Esses dois blocos sustentam o bloco de pedra situado nos quadrantes ces, ecc, csd. No quadrante c observa-se em primeiro plano um vão em formato quadrado, onde é possível avistar em segundo plano outro vão quadrado e ao fundo um gramado que termina em uma parede de pedra e uma grande abertura, semelhante a um pórtico, onde não é possível visualizar a imagem da paisagem que a sucede.
A mostra expográfica “Esta terra AINDA tem dono” é um exercício acadêmico resultado de debates da disciplina de Teoria Museológica do curso de Museologia, convergidos ao olhar crítico presente na visita técnica às ruínas de São Miguel das Missões, em junho de 2018. A partir do contato com os discursos institucionalizados, propõem-se novas interpretações materializadas através de intervenções artísticas sobre o não-diálogo da presença Guarani nesse território. Quatro abordagens são problematizadas: Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo (IPHAN), Museu das Missões (IBRAM), Ponto de Memória Missioneira e Secretaria de Cultura de São Miguel das Missões, através do espetáculo Som e Luz. Identificamos um discurso silenciado nesses espaços: o do povo Guarani.