A imagem principal, impressa em papel couchê, apresenta a parte interior da igreja do sítio arqueológico São Miguel Arcanjo, que são compostos por uma série de tijolos com tons de marrom alaranjado e algumas sujidades em preto e branco, na extensão da fotografia é possível observar um gramado verde claro e um céu cinza, nublado. Em alguns pontos da imagem encontra-se uma intervenção sobrepondo à fotografia em papel vegetal, nas duas colunas principais da imagem observamos o desenho de duas meninas com características indígenas, cada uma em uma das colunas. A indígena da coluna esquerda está virada de frente, sendo possível identificar uma pintura vermelha em suas bochechas e sua veste composta por uma blusa e uma calça, os dois sem cores. A indígena da coluna a direita está de costas, sendo possível identificar apenas suas vestes também sem cor, composta por uma camisa de manga longa. Ao centro da imagem, mais à direita, identificamos o desenho de outra indígena de cabelos pretos e longos, com uma franja cortada acima de seus olhos, vestindo um vestido de estrelas sem cor, e um colar de pedras na cor vermelha, sentada sobre o gramado verde. E bem ao fundo da imagem, encontramos o desenho de um menino indígena se escondendo em uma das colunas à esquerda, onde é possível identificar apenas seus cabelos pretos e curtos e sua mão escorada sobre a coluna.
A mostra expográfica “Essa terra AINDA tem dono” é um exercício acadêmico resultado de debates da disciplina de Teoria Museológica do curso de Museologia, convergidos ao olhar crítico presente na visita técnica às ruínas de São Miguel das Missões, em junho de 2018. A partir do contato com os discursos institucionalizados, propõem-se novas interpretações materializadas através de intervenções artísticas sobre o não-diálogo da presença Guarani nesse território. Quatro abordagens são problematizadas: Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo (IPHAN), Museu das Missões (IBRAM), Ponto de Memória Missioneira e Secretaria de Cultura de São Miguel das Missões, através do espetáculo Som e Luz. Identificamos um discurso silenciado nesses espaços: o do povo Guarani.