-
Minha exposição
- Voltar
Documento
-
MSL6-1-13 Memórias da Museologia "MSL6-1-13 Memórias da Museologia".
Metadados
Miniatura
Título
Minha exposição
Número de registro
MSL6.1.13
Classificação
Não se aplica
Subcoleções
Outros números
05:35 Tempo de duração
Data
8/3/2021
Dimensões
56,4 MB
Material/Técnica
Produtor/Autor
Procedência
Porto Alegre, RS, Brasil
Descrição Física do objeto (Descrição Intrínseca)
Transcrição do áudio:
Minhas memórias afetivas durante meu curso de Museologia na UFRGS e algumas reflexões na pandemia. Inicio apresentando-me como Vera Conceição Cruz Quintana. Devo dizer e anunciar que estou comovida ao falar de minha participação junto com minha turma no primeiro semestre do ano de 2019 na exposição curricular obrigatória Tic-Tac: nas Cordas do Tempo, como curadora. A disciplina inicial Projeto de Curadoria Expográfica com a professora Dra. Vanessa Barroso Teixeira Aquino, foi ministrada juntamente com a professora Dra. Ana Carolina Gelmini de Faria até o segundo semestre de 2018, dando continuidade, no primeiro semestre de 2019, com a disciplina Práticas em Exposições Museológicas. Faço um parêntese assinalando que ambas, cada uma ao seu turno, prestaram com dedicação e empenho as orientações pertinentes a fim de que realizássemos nossas tarefas com êxito. A exposição realizou-se no período de 16 de maio até 15 de junho de 2019. Fizemos uma escolha, o tempo e a produtividade, referindo-nos ao trabalho. A exposição foi dividida em quatro núcleos: Núcleo 1: O que é o tempo? - Conceito de tempo na história da humanidade e a construção social; Núcleo 2: Quanto vale o tempo? - Dois recortes temporais principais e o que tende relação entre o tempo e a produtividade: o da revolução industrial e o momento contemporâneo, o mercantilismo, surgimento das novas tecnologias, o relógio de ponto e a discussão o em relação ao tempo e uso das mesmas; Núcleo 3: O tempo é igual para todos? -Transição de narrativa do tempo ocidental corrido, marcado pela produtividade, para a temporalidade mbya guarani, que possui uma vivência diferenciada. O tempo não é vivido de uma forma igual para todos os povos, sendo necessário abordar outras culturas e temporalidades. Não há apenas uma forma de temporalidade e de dividir e viver o tempo, mas múltiplas formas que devem ser respeitadas e lembradas. Através da mediação realizada por Eugenio Barbosa, a turma entrou em contato com aldeia Tekoá Jataí', Cantagalo, em Porto Alegre, estabelecendo-se uma relação de parceria com a aldeia e com seu cacique Jaime Vhera Guyrá. Eu nunca havia estado num aldeamento indígena e aquela oportunidade foi uma experiência indescritível. Presenciar in loco o viver indígena, observar alguns de seus hábitos como acender uma fogueira para esquentar a água do chimarão, e mais, ver o fogo ser alimentado por um dos netos do cacique que tem idade foi surpreendente. Aquele ambiente natural com ronco dos dias e o cantar dos pássaros deixou inebriada. Entendi que pouco sei da complexidade do ser indígena. Falam pouco e são demasiadamente observadores. Vivem e produzem no tempo que a natureza indica. Respeitam todos os seres sobre a terra. Caçam e se alimentam apenas daquilo que necessitam. Tem regras de respeito na convivência com os mais velhos e as crianças são ouvidas. Era um dia nublado, mas senti o sol radiante. Núcleo 4: Tempo de resistência - Como desacelerar o ritmo diante da demanda cotidiana? Queremos ter um pouco de tranqüilidade, temos a necessidade de desligar. Pesquisamos e indagamos: até quando agüentaríamos tantas solicitações do trabalho, mesmo depois do expediente? O celular sempre tocando esperando uma resposta, um problema a ser resolvido, e solicitada a solução por uma chefia ou por um colega de trabalho. Chegamos ao auge com a Síndrome de Burnout. Não imaginávamos a pandemia causada pelo Covid-19. Triste, lamentável, saímos de um mundo cheio de sonhos para o futuro e caímos na tragédia, no momento, março de 2021, com 260 mil mortes. Hospitais superlotados na eminência de paralisação em muitas cidades. Buscamos refúgio na arte através dos arcevos de artistas colaborativos que incluímos as obras de arte fazendo-nos refletir sobre o tempo transcorrido em vários períodos de tempo, assim como uma poesia inspiradora no sentido de buscarmos qualidade de tempo. E agora senhores? Onde está o tempo tão buscado, tão afiançado, por lucros apenas para os mais afortunados? Onde está o tempo que não socorre a quem ele próprio se esvai. E o trabalho? Quem está a fazer? Os mais desassistidos? Aqueles que não têm teto, nem comida e nem carteira assinada? Falar daquela experiência em equipe tem o sentimento de cooperação, generosidade e muito astral com o aprendizado. Grato pela atenção.
Comentários/Dados Históricos (Descrição Extrínseca)
Relato da estudante de graduação em Museologia Vera Conceição sobre a experiencia na produção da exposição Tic Tac: Nas cordas do tempo, correlacionando com o isolamento social provocado pela Covid-19.
Estado de conservação
Ótimo
Condições de reprodução
Autorizado desde que citada a fonte e autoria.
Observações adicionais
Como referenciar: QUINTANA, Vera Conceição Cruz. Minha exposição. [S.l.]: Programa de Extensão Museologia na UFRGS: trajetórias e memórias, 2021. 1 arquivo digital/WAV (5:35 min). [negrito ou itálico no título da memória].

